Após cassação, Eduardo Cunha culpa governo Temer - David Gouveia Notícias

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13/09/2016

Após cassação, Eduardo Cunha culpa governo Temer

O plenário da Câmara dos Deputados aprovou na noite desta segunda-feira (12) a cassação do mandato de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), colocando um ponto final em um conturbado processo iniciado em novembro de 2015. Anunciado às 23h50, o placar mostrou 450 votos pela cassação -193 a mais do que o mínimo necessário-, contra apenas 10 pela absolvição. Houve nove abstenções.
 
Após a votação, ele disse que o governo do presidente Michel Temer (PMDB) é parcialmente responsável pela cassação de seu mandato. O peemedebista não chegou a culpar o presidente Temer diretamente por sua cassação, mas disse que quem de fato "comanda o governo" é o secretário-executivo do PPI (Programa de Parcerias de Investimentos), Moreira Franco, que sogro é de Rodrigo Maia.
 
"Quem elegeu o presidente da Casa foi o governo, quem derrotou o candidato Rogério Rosso foi o governo. Todo mundo sabe que o governo hoje tem uma eminência parda e quem comanda o governo é o Moreira Franco, que é o sogro do presidente da casa [Rodrigo Maia]. Todo mundo sabe que o sogro do presidente da casa comandou uma articulação e fez com que fosse feita uma aliança com o PT e, consequentemente, com isso a minha cassação estava na pauta”, disse Cunha.
Perguntado se tinha a intenção de assinar delação premiada, já que é alvo da Operação Lava Jato, Cunha disse não ser criminoso para fazer delação. “Só faz delação quem é criminoso. Eu não sou criminoso, não tenho que fazer delação”. O peemedebista, contudo, disse que pretende escrever um livro sobre o impeachment de Dilma Rousseff
 
“Vou contar tudo que aconteceu, diálogo com todos os personagens que participaram de diálogos comigo. Eles serão tornados públicos, na sua integralidade. Todo mundo que conversou comigo, todos, todos”, disse Cunha.
 
Apesar da promessa de escrever um livro de memórias, Cunha negou que faça ameaças. “Não sou pessoa de fazer qualquer tipo de ameaça, velada ou não. Não faço ameaça. O livro não é ameaça. Quero contar os fatos, contribuir para a história. A sociedade merece conhecer todos os detalhes. Até porque uns ficam falando que é golpe e hoje vão querer perpetuar esse discurso de golpe com a  minha cassação. Não tenho nada a revelar sobre ninguém. O dia que o tiver, eu o farei”.
 
Cunha já estava afastado do mandato. Com a decisão da Câmara, fica inelegível até janeiro de 2027. Outra consequência da cassação deve ser a mudança do foro onde ele será investigado e julgado pelas acusações de ser um dos principais integrantes do esquema de corrupção na Petrobras. 
 
Com o foro privilegiado que o mandato lhe conferia, Cunha responde a duas ações penais no Supremo Tribunal Federal, além de outras investigações relacionadas ao esquema. Agora, seu caso pode migrar para a Justiça Federal no Paraná, sob os cuidados do juiz Sergio Moro -a expectativa, porém, é que Cunha tente manter de alguma forma os processos no STF.
 
 
Com informações da Folhapress

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