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30/06/2021

Lázaro pode ser autor de mais de 30 crimes em três estados, segundo secretário

 



O DNA de Lázaro Barbosa foi coletado para ajudar em investigação de outros crimes. Ele, que é suspeito de matar uma família em Ceilândia, em Goiás, e condenado por um duplo homicídio na Bahia, morreu na segunda-feira em confronto com a polícia enquanto tentava fugir. O secretário de Segurança Pública de Goiás, Rodney Miranda, informou que além das condenações que Lázaro já tinha, ainda existem casos sem soluções dos quais ele é suspeito de ser o autor.

— Contando Goiás, DF e Bahia são mais de 30. Temos esses crimes que já são conhecidos: o quádruplo homicídio no DF, a tripla tentativa aqui, o sequestro da família em Goiás e temos outros sete, entre latrocínios, assassinatos, em aberto — disse.

As buscas pelo foragido duraram 20 dias. Mariana Mota, perita criminal e administradora do Banco de Perfil Genético em Goiás, explicou ao G1 que é possível incluir amostras genéticas de uma pessoa nesse sistema quando há a condenação por crimes graves ou hediondos, como homicídios, latrocínio, sequestro e estupro:

— Nesse banco a gente insere perfis de vestígios de locais de crime e também vestígios coletados de corpos de vítimas, como, por exemplo, vítimas de estupro. E também colocamos perfis genéticos de condenados por crimes previstos na legislação.

Ela explicou ainda que, em casos de cadáveres, é possível fazer a coleta casa haja a suspeita de que eles tenham cometido crimes violentos:

— Aí é possível associar o crime, o vestígio biológico que foi deixado em um local de crime ou no corpo de uma vítima com o perfil de um condenado, de um suspeito ou de um cadáver que cometeu algum tipo de crime.

A Secretaria de Saúde de Águas Lindas de Goiás informou que Lázaro foi atingido com pelo menos 38 tiros, mas só a perícia vai poder confirmar. De acordo com o relato da Polícia Militar, os tiros foram efetuados pelas pistolas Sig Sauer calibre 9mm, Taurus calibre 9 mm e um fuzil calibre .556. Enquanto fugiu, Lázaro invadiu ao menos 11 fazendas, trocou tiros com moradores e policiais, ferindo um militar. A defesa do fazendeiro preso suspeito de ajudar na fuga de Lázaro pediu à Justiça para que ele seja solto após a morte do criminoso. A juíza Luciana Siqueira tornou a prisão em flagrante do fazendeiro em preventiva na sexta-feira. Na decisão, a magistrada disse que entendia que “sua liberdade representa risco efetivo à ordem pública”.

Queria ele preso

“Queria ele preso”. A frase é de uma das vítimas do criminoso mais procurado do Brasil até segunda-feira. Moradora de Ceilândia, a mulher que, em 2009, foi estuprada por Lázaro e pelo irmão dele, Deusdete, assassinado há cinco anos, contou que, na véspera da morte do criminoso, pensou na família que ele é acusado de ter matado na região:

— Estava pensando muito na Cleonice e fiz uma oração muito forte. Desejei muita luz para ela, para eles todos. Mas principalmente para ela, para que ela siga o caminho da luz. Porque ela sofreu muito. E rezei muito para que ele fosse preso. E agora esse alívio. Não era o que eu esperava. Eu queria ele preso para pagar pelos crimes.

Ela lembrou do que passou após sofrer a violência sexual. Segundo a vítima, após invadir sua casa e torturar sua família, Lázaro e Deusdete fugiram com ela, à época com 19 anos, para um matagal. No local, a mulher foi violentada, xingada e agredida com uma arma.

— Foi muito difícil superar. Anos trabalhados. E ainda vai ser. Mas me sinto firme. Desejando muita luz para as vítimas mortas. Na época, tinha certeza que ia morrer — contou a mulher.

A mulher contou que, agora, se sente mais segura. Muitos moradores da região relataram a mesma sensação:

— Ele estava assistindo às reportagens, estava de olho. Com certeza ele viu que eu tinha falado do meu caso. Fiquei com muito medo.

Na ocasião, Lázaro foi pego, condenado e enviado para o Complexo Penitenciário da Papuda. Ele deixou o local em 2016, num indulto de Páscoa, e não voltou mais.

Família não foi ao IML reconhecer corpo

O corpo de Lázaro permanece no Instituto Médico-Legal (IML) de Goiânia. De acordo com informações da Policia Técnica, até ontem nenhum parente havia ido ao local para fazer a liberação. Lázaro deve ser enterrado num cemitério em Edilândia, distrito de Cocalzinho.

De acordo com Rodney Miranda, Lázaro descarregou uma pistola nos policiais, o que deu início ao confronto final. Segundo ele, além da arma, o criminoso estava com mais de R$ 4, 4 mil no bolso que poderiam ser usados para fugir. A força-tarefa mobilizada para capturar Lázaro seguirá com o trabalho. Os policiais vão se dedicar, agora, a entender a motivação das ações do criminoso e descobrir se ele agia a mando de proprietários de terras ou pessoas do setor urbano da região. Segundo o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, o foragido não era um “lobo solitário”. As novas diretrizes das polícias Civil e Militar do estado foram explicadas pelo governador Ronaldo Caiado em entrevista à rádio CBN. De acordo com ele, o primeiro objetivo é descobrir “como é que o Lázaro estava com R$ 4,5 mil no bolso”. O governador também destacou que ele estava conseguindo se alimentar e “ter informações”, o que indica que houve a ajuda de outras pessoas.

A Polícia Civil do Distrito Federal divulgou ontem o laudo da morte da família Vidal, assassinada por Lázaro. Segundo o delegado Raphael Seixas, Cleonice Marques, de 43 anos, foi morta com um tiro no crânio. O laudo mostra “indícios de violência sexual", e que Cleonice teve uma orelha cortada, “possivelmente enquanto estava viva”.

A Ordem dos Advogados do Brasil de Goiás se manifestou sobre o cerco que culminou na morte de Lázaro. O órgão lamentou a “espetacularização e a celebração” do ocorrido. Em nota, afirmou que a divulgação de fotos e vídeos de pessoa morta pode configurar crime, conforme o artigo 212 do Código Penal, passível de detenção de um a três anos e multa.

Fonte:extra.globo

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