Ouça: Nikolas Ferreira pede ajuda para Daniel Vorcaro para liberar ativo de minério📲 Leia mais em https://t.co/xkw5w6f508📹Reprodução | Redes sociais pic.twitter.com/fHDDDKytFn— Itatiaia (@itatiaia) September 3, 2026
Vorcaro respondeu minutos depois com um áudio de visualização única. Em seguida, Nikolas agradeceu e enviou o contato de Thiago Faria. O banqueiro respondeu: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”. Nikolas afirmou que iria “dar banho na pequena agora” e completou: “pra amanhã voltar pra guerra”. A conversa terminou com Vorcaro dizendo ao deputado para “Thiago me chamar”.
No dia seguinte, 1º de abril de 2025, Nikolas informou ao banqueiro que Thiago estaria em Brasília e que “qualquer horário ele estará disponível”. Vorcaro respondeu um dia depois: “Deixa comigo”. As mensagens não permitem concluir se o banqueiro efetivamente ajudou no pedido relacionado ao ex-assessor do deputado.
No mesmo áudio, Nikolas também pediu desculpas a Vorcaro por publicações feitas em abril de 2024, quando criticou um evento financiado pelo Banco Master em Londres, com a presença de ministros do STJ, STF e TSE. O deputado afirmou ter conversado com o pastor Valadão sobre o episódio e disse que não sabia que se tratava do “Banco do Dani”.
“Troquei ideia lá com o Pastor Valadão naquela época, lá naquela postagem, eu falei: ‘Pastor, eu não fazia ideia que era este o Banco do Dani etc. e tudo, se não, obviamente eu não teria postado, já teria conversado anteriormente’, mas enfim, acabou que a palavra dita não tem como voltar, né? Mas espero que tenha sido esclarecido, enfim, depois vamos marcar da gente se encontrar também, tá bem? Um abraço, lindão”, afirmou Nikolas.
A coluna informou ter enviado cinco perguntas a Thiago Faria e a Nikolas Ferreira. Faria respondeu que o deputado estava em campanha e que não iria incomodá-lo. “Essas perguntas são nada a ver”, disse.
Em áudio enviado ao ICL, Faria afirmou ainda que conhece Vorcaro por ambos serem de Belo Horizonte e declarou que trabalhava na área de mineração. “O Vorcaro é de Belo Horizonte e eu sou de Belo Horizonte e a gente conhece todo mundo. Uma vez eu, enfim, tinha um ativo minério porque eu trabalho nessa área de mineração e mandei um ativo minerário pra todo mundo de um contrato que todo mundo sabe que já saiu de uma pessoa que teve um problema e ao qual eu nunca fui chamado para depor na PF porque eu não tenho nada a ver com isso”, disse.
O nome de Thiago Rodrigues de Faria ganhou destaque meses depois da troca de mensagens, após ser citado em apurações relacionadas à Operação Rejeito, deflagrada em setembro de 2025. A investigação da Polícia Federal mirou um esquema criminoso de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, e resultou em 22 prisões preventivas.
Segundo reportagem do jornal O Estado de Minas, Faria teria atuado como intermediário, por meio de um contrato de confidencialidade, em uma negociação envolvendo uma lavra de minério e empresas investigadas pela PF. Uma das empresas mencionadas é a Gmais Ambiental.
A Thiago Rodrigues Sociedade Individual de Advocacia tinha um contrato assinado em janeiro de 2025 com a Gmais. O acordo previa remuneração de 25% do lucro total, estimado entre US$ 30 milhões e US$ 45 milhões, caso fosse obtida autorização para retomada de mineração em uma área e posterior venda de uma lavra.
Em trecho do inquérito da PF reproduzido pela reportagem, os investigadores afirmam: “chamaram a atenção os valores prováveis da negociação sobre os quais os apresentantes seriam remunerados. O valor inicial era de US$ 30.000.000,00 podendo ultrapassar os US$ 45M, valor que geraria 20% de comissão aos parceiros Gmais, Estabil escritório contábil e Thiago Rodrigues advocacia”.
O contrato entre a Gmais e a empresa ligada ao ex-assessor de Nikolas também envolvia, segundo a reportagem, a mineração Topázio Imperial, detentora dos direitos minerários de uma lavra onde fica a barragem Água Fria, apontada como uma das sete estruturas com maior risco de rompimento no Brasil. À época, a operação estava suspensa por ação do Ministério Público Federal.
Ainda conforme a PF, o grupo investigado pretendia vender a lavra da Topázio para exploração. Para isso, seria necessário liberar a empresa, titular dos direitos minerários em Ouro Preto, no distrito de Rodrigo Silva.

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