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26/12/2020

'Não dou bola pra isso', diz Bolsonaro sobre Brasil ficar para trás em vacinação


Em mais uma manifestação que põe em xeque a vacinação contra a Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro disse neste sábado que não se sente pressionado e "não dá bola" para o fato de outros países já terem começado a imunizar suas populações.

 

Bolsonaro reforçou o argumento que vem utilizando de que nem as próprias fabricantes dos imunizantes não se responsabilizam por eventuais efeitos colaterais dos produtos. O país já soma mais de 190,5 mil mortes pela Covid-19 e diversos estados registram alta de casos.

 

— Ninguém me pressiona pra nada, eu não dou bola pra isso. É razão, razoabilidade, é responsabilidade com o povo, você não pode aplicar qualquer coisa no povo — comentou, durante passeio por Brasília nesta manhã.

 

Bolsonaro repetiu na sequência que tudo o que viu "até agora em vacina que poderão ser disponíveis tem uma cláusula que eles não se responsabilizam por qualquer efeito colateral".

 

Ao ser indagado se estava se referindo ao caso da vacina da Pfizer/BioNTech, como já havia externado nos últimos dias, o presidente respondeu que falava sobre "todas elas".

 

— Pelo que eu vi até agora, todas elas.

 

O Brasil não aprovou nenhuma vacina até o momento. Nenhuma fabricante solicitou pedido de registro emergencial ou definitivo à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). No mundo, países como Reino Unido, Estados Unidos, México, Costa Rica e Chile foram mais ágeis nas negociações e parcerias e já deram início à vacinação contra a Covid-19.

 

Segundo o site Our World in Data, que acompanha a imunização contra a Covid-19 a nível global através de diferentes fontes oficiais, mais de 3,8 milhões de pessoas já foram vacinadas com diferentes fórmulas contra o Sars-CoV-2 no mundo. À exceção de casos isolados, não há até o momento registro de efeitos adversos em escala expressiva.

 

A segurança das vacinas é atestada na terceira e última fase dos ensaios clínicos e os resultados são analisados pelas reguladoras de saúde, mesmo nos casos em que a aprovação é concedida no modelo emergencial.

 

Não é a primeira vez que Bolsonaro levanta suspeitas sobre eventuais efeitos colaterais de imunizantes contra o novo coronavírus por meio de declarações imprecisas ou equivocadas. Na última quarta-feira, o presidente afirmou que a melhor vacina contra a Covid-19 é "contrair o próprio vírus", o que não é correto, dado que grupos de risco têm altas chances de evoluir para o quadro grave da doença e que a resposta imunológica desenvolvida pelo contágio natural não previne reinfecções.

 


Na primeira quinzena de dezembro, Bolsonaro, que se opõe à vacinação obrigatória, defendeu publicamente a necessidade de um termo de responsabilidade assinado pelos brasileiros imunizados com fórmulas aprovadas emergencialmente. A proposta também foi defendida pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e duramente criticada por especialistas, que veem uma tentativa de isentar o Estado de suas responsabilidades.

 

— Tem outra medida provisória talvez amanhã. Não é obrigatório, vocês vão ter que assinar termo de responsabilidade para tomar. Porque a Pfizer, por exemplo, é bem clara no contrato: “nós não nos responsabilizamos por efeitos colaterais” — declarou o presidente no último dia 14.

 

No dia seguinte, o presidente disse que "não tomará a vacina e ponto final", e que sua decisão seria um problema de ordem pessoal, apesar do caráter infeccioso do novo coronavírus e da possibilidade de transmissão assintomática.

 

Mais recentemente, Bolsonaro foi ainda mais específico quanto às suas reservas com o uso emergencial de vacinas, embora não tenha apresentado argumentos cientificamente embasados.

 

— Se você virar um chi... virar um jacaré, é problema de você, pô. Não vou falar outro bicho, porque vão pensar que eu vou falar besteira aqui, né? Se você virar super homem, se nascer barba em alguma mulher aí ou algum homem começar a falar fino, eles não têm nada a ver com isso. Ou, o que é pior, mexer no sistema imunológico das pessoas — disse o presidente no dia 17.

 

 

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