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31/12/2020

Mutação da Covid-19 descoberta no Reino Unido chega à China

O Centro para Controle e Prevenção de Doenças de Pequim informou nesta quinta-feira, 31, que uma estudante foi contaminada pela nova cepa 

Desde que começou a infectar humanos na China, o coronavírus já apresentou muitas mudanças em seu genoma ao redor do mundo e com o passar do tempo Foto: Getty Images


 A mutação altamente contagiosa do coronavírus detectada no Reino Unido foi identificada na China. O Centro para Controle e Prevenção de Doenças de Pequim informou nesta quinta-feira, 31, que uma estudante, que estava no Reino Unido e retornou a Xangai no dia 14 de dezembro foi contaminada pela nova cepa.

 

No mesmo dia, Pequim anunciou a suspensão de seus voos com a Grã-Bretanha. A jovem de 23 anos foi colocada em isolamento. O centro de pesquisas considera que essa mutação representa "uma séria ameaça à prevenção e ao controle da Covid-19 no país".

 

Após a descoberta dessa variante do coronavírus, várias medidas de controle foram tomadas. Os contatos da estudante foram rastreados, incluindo os passageiros e tripulantes do avião em que ela viajou. “Os locais específicos pelos quais ela passou foram totalmente desinfetados”, asseguraram as autoridades chinesas.

 

A variante britânica do coronavírus já foi encontrada em vários países, como Canadá, Estados Unidos, Portugal, França, Itália, Jordânia, Coréia do Sul e Chile. De acordo com os especialistas, ela é 50% a 74% mais contagiosa do que outras existentes. Após o seu aparecimento, cerca de 50 países suspenderam a chegada de viajantes oriundos da Inglaterra nas últimas semanas.

 

Nesta quinta-feira, o governo chinês também aprovou "sob condições" a comercialização de uma primeira vacina contra o coronavírus: o imunizante desenvolvido pela Sinopharm em parceria com o Instituto de Produtos Biológicos de Pequim. Essa vacina demonstrou 79% de eficácia contra a Covid-19.

 

O vice-ministro da Saúde, Zeng Yixin, esclareceu que a autorização permitirá generalizar a vacinação em grupos de risco, principalmente idosos e pessoas com doenças crônicas, e que o próximo passo “será vacinar toda a população”, disse.   Segundo ele, uma vacinação "de 60% a 70%" dos 1,4 bilhão de chineses será necessária para garantir "a proteção de toda a população". Yixin prometeu que a vacina será "fornecida gratuitamente a todos".

 

Zeng ainda informou que milhões de vacinas já foram aplicadas em chineses em risco de saúde, desde 15 de dezembro, sem especificar quais vacinas foram usadas. De acordo com o Ministério da Saúde chinês, 5 milhões de pessoas já receberam diversas vacinas em desenvolvimento no país e apenas algumas reações alérgicas leves foram observadas. As autoridades consideram que agora o uso das vacinas pode ser generalizado.

 

Pequim, que erradicou em grande parte a epidemia em seu território, havia aplicado doses de vacinas em caráter de emergência desde o verão, principalmente para equipes médicas ou para estudantes e diplomatas que precisavam viajar para o exterior.

 

Vacina: bem público global

 

A China, país onde o coronavírus apareceu no final de 2019, busca estar na vanguarda global do desenvolvimento de vacinas contra a doença. À custa de enormes aportes financeiros do Estado, a China realiza atualmente 14 testes em humanos, incluindo cinco deles em fase final (fase 3) de testes, incluindo a vacina que acaba de ser aprovada.

Propagação foi controlada em Wuhan e população voltou às ruas (11/12/2020) Foto: Getty Images


 O gigante asiático promete fazer das vacinas chinesas "um bem público global" oferecido a "um preço razoável" ou mesmo "oferecido". O país já começou a entregar as doses a algumas nações como Indonésia e Emirados Árabes Unidos.

 

No entanto, a taxa de eficácia da vacina da Sinopharm é menor do que as alegadas por seus concorrentes Pfizer / BioNTech (95%) e Moderna (94,1%).

 

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