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30/04/2020

Sob pressão de Bolsonaro, investigação da PF sobre facada descarta mandante

Relatório parcial da apuração contraria tese repetida pelo presidente e reforça que Adélio Bispo agiu sozinho

Sob forte pressão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), a investigação da Polícia Federal sobre a facada sofrida por ele em setembro de 2018 está perto de um desfecho sem confirmar a tese bolsonarista de que Adélio Bispo teria recebido auxílio de outras pessoas ou obedecido a um mandante.
Segundo reportagem do jornaal Folha de S. Paulo, o segundo inquérito sobre o episódio aberto pela corporação ainda está em curso e terá o relatório parcial divulgado nos próximos dias pela Superintendência da PF em Minas Gerais. A primeira apuração, finalizada ainda no ano do crime, chegou à conclusão de que o esfaqueador fez tudo sozinho.
Adélio sempre disse que agiu a mando de Deus para tentar livrar o Brasil da vitória de Bolsonaro, que via como uma ameaça. O autor está preso desde a época do fato na penitenciária federal de Campo Grande (MS). Considerado inimputável, ele foi absolvido pela Justiça, mas cumpre medida de segurança.
Na terça-feira (28), o presidente disse que o caso foi negligenciado pela PF. Ao falar com apoiadores em Brasília, ele defendeu que a corporação reabra a investigação, sem mencionar que ainda há uma apuração em andamento.
“A conclusão foi o ‘lobo solitário’. Como é que pode o ‘lobo solitário’ com três advogados, com quatro celulares, inclusive andando pelo Brasil?”, afirmou, acrescentando não ter provas que corroborem sua tese. “Eu tenho é sentimentos, sugestão para dar para a Polícia Federal.”
Na semana passada, o presidente já havia contestado o trabalho da PF e insinuado que a apuração falhou ao não encontrar quem supostamente estaria por trás da tentativa de matá-lo. Os advogados de Bolsonaro não recorreram da decisão judicial que inocentou Adélio.
As críticas foram feitas em meio à demissão de Sergio Moro do Ministério da Justiça, pasta à qual a PF é subordinada. O ex-juiz se demitiu após uma queda de braço com o mandatário envolvendo a chefia da corporação. Moro acusou o presidente de tentar interferir em investigações.

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