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23/03/2018

Pesquisadores reconstroem rosto de brasileiro de 2 mil anos atrás

Esqueleto encontrado por arqueólogos do Museu Nacional foi usado como base para chegar a versão em 3D com detalhes como rugas e cabelo


Os pesquisadores do Setor de Antropologia Biológica do Museu Nacional/UFRJ e da Faculdade São Leopoldo Mandic apresentaram nesta quinta-feira (22), A reconstrução digital da face de um homem que viveu há cerca de dois mil anos na região onde está localizada a cidade do Rio de Janeiro.

O trabalho foi realizado a partir de um esqueleto em bom estado de preservação encontrado por arqueólogos do Museu Nacional, na década de 1980, em escavações no sítio Sambaqui do Zé Espinho, localizado na região de Guaratiba, zona oeste da cidade do Rio de Janeiro.

Esqueleto usado como base para modelo 3D

Museu Nacional

“A escolha desse indivíduo foi feita pelo bom estado de conservação e também pelo local onde foi encontrado. Nós queríamos saber quem era a população que vivia na região da cidade do Rio antes mesmo dos índios Tupinambás e Tupi-Guaranis”, explica o pesquisador Murilo Bastos, bioarqueólogo do Museu Nacional da UFRJ.

Descobrindo detalhes

O estudo anatômico do crânio permitiu estimar a posição e aspecto das estruturas da face, como os músculos, olhos e nariz. A técnica de aproximação facial consiste em basear-se nestas informações para que seja produzida uma imagem compatível com a aparência em vida do indivíduo.

Também foi realizado um estudo osteobiográfico detalhando alguns aspectos sobre quem era e como viveu este indivíduo. Tal estudo revelou que os ossos eram de um homem, de 38 anos e com cerca de 1,50 m de altura.

“A ausência de cáries é uma evidência de que a dieta dele não era rica em carboidratos. Porém, os dentes estavam gastos o que indica a mastigação de alimentos fibrosos e abrasivos. Já as articulações e a coluna tinham marcas de atividades físicas intensa. Essas características são compatíveis com uma população que vivia da pesca e da coleta”, detalha Bastos.

Modelo em 3D

Os pesquisadores utilizaram um software livre que faz a modelagem a partir de um conjunto de fotos. O processo é pouco invasivo e os ossos não precisaram ser retirados do Museu Nacional.

via GIPHY

“Uma réplica virtual do crânio foi feita a partir de fotografias. As imagens foram processadas obtendo o crânio em 3D. As estruturas anatômicas foram modeladas virtualmente e por fim recobertas com uma camada de pele. O processo termina com o acabamento, que adiciona detalhes como marcas de expressão e cabelos”, explica Paulo Miamoto professor da Faculdade São Leopoldo Mandic e responsável pela parte tecnológica da pesquisa.

Prazer, Ernesto

Batizado de Ernesto de Guaratiba, o nome é uma homenagem à localidade do sítio arqueológico e a Ernesto Salles Cunha, docente de Odontologia da Universidade Federal Fluminense que dedicou grande parte de seus estudos a paleopatologia dos sítios de Sambaqui do litoral brasileiro.

A nomeação foi decidida em uma votação aberta com alunos matriculados no curso de Fundamentos de Aproximação Facial, promovido pelo Programa de Pós-Graduação em Arqueologia do Museu Nacional.

(r7)

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